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Dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral (AVC)

Hoje, 31 de março, assinala-se o dia Nacional do Doente com Acidente Vascular Cerebral (AVC). Aproveitando esta data, devem ser reforçados e relembrados alguns conceitos, medidas preventivas, sinais de alarme e formas de atuação perante esta condição, de modo a melhorar o seu impacto na saúde dos nossos doentes.

O AVC é uma das principais causas de morte em Portugal. Nos últimos anos verificaram-se algumas melhorias com uma redução de 39% nas mortes por AVC entre 2011 e 2015, devido à adoção de medidas preventivas e à melhoria do diagnóstico. Ainda assim, pretende-se uma maior redução destes números e um melhor e atempado acesso aos tratamentos adequados.

Um AVC, também vulgarmente chamado de trombose ou embolia cerebral, ocorre quando a circulação sanguínea arterial para uma parte do cérebro é afetada. Isto pode ser causado por um derrame sanguíneo, passando a chamar-se AVC hemorrágico ou por um bloqueio ao fluxo sanguíneo, por um coagulo ou placa aterosclerótica, passando a chamar-se AVC isquémico (o mais frequente). Pode ainda ocorrer sobre a forma de Acidente Isquémico Transitório (AIT) que é causado por uma oclusão temporária e reversível e cursa com os mesmos sintomas, numa fase inicial. Esta condição necessita igualmente de uma avaliação médica, pois pode anteceder um AVC.

Nesta emergência é fundamental entender que “tempo é cérebro”, já que o tecido cerebral é extremamente sensível à falta de fluxo sanguíneo e que por cada minuto que passa há um elevado numero de células nervosas que são destruídas. As estatísticas revelam que numa grande maioria dos casos o pedido de assistência ocorre tardiamente, traduzindo-se em dano que se pode tornar irreversível, com sofrimento e custos importantes.

É necessário agir rapidamente! Esperar ou descansar a ver se passa não é solução. Assim é fundamental que cada cidadão saiba quais os sinais de alerta e como utilizar, de forma correta, o Número Europeu de Emergência – 112.

Deve-se suspeitar de um AVC na presença de um dos seguintes sinais e sintomas:

  1. Dificuldade em falar;
  2. Boca ao lado;
  3. Falta de força num membro.

Outros sintomas súbitos menos frequentes a ter em atenção são:

  • Dormência ou fraqueza da face, braço ou perna, especialmente se unilateral;
  • Confusão súbita, dificuldade em falar ou entender conversas;
  • Alterações da visão em um ou nos dois olhos;
  • Dificuldade a andar, tontura ou perda de equilíbrio ou coordenação;
  • Dor de cabeça intensa, sem causa conhecida.
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Sem demoras, a pessoa, familiar, cuidador ou quem assiste, deve contactar de imediato o 112, aguardando por ajuda especializada. Recorrer ao hospital pelos seus próprios meios não é aconselhável pois, na maior parte dos casos, atrasa o início dos tratamentos, reduzindo as taxas de sucesso.

As primeiras horas constituem uma janela temporal fundamental para o sucesso dos tratamentos que dependem da etiologia, dos défices apresentados, comorbilidades prévias e tempo desde o início  dos sintomas.

A prevenção é fundamental e é importante reduzir o risco cardiovascular individual, controlando fatores de risco como a hipertensão arterial, dislipidemia, tabagismo, arritmias cardíacas e diabetes, através da promoção de estilos de vida saudáveis.

Mais detalhadamente deixam-se algumas recomendações da Organização Mundial de Saúde e outras sociedades de referência:

  • Deve consultar o seu médico com regularidade e seguir as suas indicações para estratificação de fatores de risco cardiovascular;
  • De uma forma geral deve privilegiar na dieta fruta, fibra, lacticínios, carne magra e peixe. Assim, deve comer com frequência fruta, vegetais ou legumes (mínimo de 5 peças por dia) e tente comer peixe pelo menos duas vezes por semana. Evite alimentos salgados, como os enchidos e as conservas e não adicione sal no prato. Reduza a ingestão de alimentos ricos em açúcar e gorduras, como os que existem em bolos de pastelaria e refeições pré-preparadas;
  • Deve reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas para 2 copos por dia para o homem e 1 copo por dia para a mulher.
  • Deve reduzir o consumo de sal na comida (<5g por dia) e se tem tensão arterial elevada (acima de 140/90 mmHg) deve seguir as indicações terapêuticas do seu médico, de modo a baixa-la;
  • Deve procurar reduzir os valores de colesterol através da dieta e seguir as indicações terapêuticas do seu médico;
  • Deve seguir as indicações terapêuticas e dietéticas do seu médico para diagnóstico e controlo da diabetes.
  • Dentro das suas possibilidades e indicações médicas, deve praticar exercício físico regular, em pelo menos 30 minutos de atividade física moderada por dia (por exemplo uma caminhada em ritmo acelerado);
  • Deve procurar reduzir o stress e ansiedade;
  • Deve controlar o seu peso através de dieta ou exercício físico. Perdas na ordem dos 3-5kg poderão reduzir o risco cardiovascular. Assim deve procurar saber o seu Índice de Massa Corporal e preserva-lo em valores entre 20-25 kg/m2;
  • Deve deixar de fumar e não começar a fumar.

A mensagem final para este dia deverá ser a prevenção de fatores de risco, de uma forma precoce e sustentada e o antecipado reconhecimento de sinais de alarme, com uma resposta rápida e eficaz.

Fontes: INEM, SNS, stroke.org, European Society of Cardiology, OMS, Norma Direção Geral da Saúde 015/2017 Via Verde do Acidente Vascular Cerebral no Adulto, Direção Geral da Saúde – Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares 2017

João Barbosa Martins