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Como ter uma Páscoa amiga da saúde oral infantil?

Sejamos realistas, com a aproximação da Páscoa, uma das festividades mais importantes no nosso país, o consumo de alimentos e bebidas açucaradas aumenta, não só em quantidade, mas na frequência ao longo desta época festiva.

Os média têm uma grande influência, e é possível verificarmos uma crescente, e alarmante, divulgação publicitária a alimentos açucarados que incitam o seu consumo– dos mais novos aos mais velhos. O consumo destes alimentos açucarados deve ser evitado por crianças com idades iguais ou inferiores a dois anos. E não podemos esquecer que a ingestão de açúcar, que está presente em tantos alimentos de consumo diário, está associada a obesidade infantil e ao aparecimento de cárie dentária precoce.

É valioso saber identificar bem estes açúcares e perceber quais estão a ser introduzidos na dieta dos mais pequeninos. Torna-se assim necessário que pais e educadores/cuidadores estejam bem informados sobre as consequências e qualidade dos alimentos açucarados que as crianças e jovens possam consumir ao longo desta época festiva.

A escolha dos alimentos certos, pode ajudar os mais novos a ficarem mais longe das cáries. O chocolate negro é uma melhor opção para a saúde oral, em comparação com as pastilhas elásticas, caramelos, bolachas ou gomas. Isto porque estes últimos alimentos têm mais probabilidade de se ligarem e permanecerem por mais tempo nas superfícies dos dentes e nas suas ranhuras ou fissuras. O chocolate de eleição deve ser o negro, o mais amargo, que inclusivamente apresenta antioxidantes que impedem as bactérias – presentes na boca do seu/sua filho/educando(a) – de se aderirem mais facilmente aos dentes.

O consumo de alimentos açucarados deve ser feito com moderação – e não diariamente. Também não está indicado comer açúcares várias vezes ao dia. Recorde-se que os doces são pegajosos e que não se removem com facilidade dos dentes do seu/sua filho/educando(a).

Idealmente, os alimentos mais ricos em açúcar devem ser consumidos no final das refeições, como sobremesa. Aconselho que os alimentos açucarados, ao serem consumidos, sejam apenas ingeridos após uma refeição principal (como por exemplo no final de almoço) e este consumo não se deve prolongar por vários dias, mesmo na presença de grande quantidade destes alimentos em casa.

Outra atitude que faz a diferença é o controlo do tipo de alimentos açucarados que as crianças podem ingerir. Existem alimentos mais pegajosos e ricos em açúcares livres –como as gomas, bolachas ou caramelos – que são mais prejudiciais para a saúde dos dentes da criança/jovem, por terem a capacidade de ficarem mais tempo nas superfícies dos dentes e de serem mais difíceis de remover na escovagem. Desta forma, ajude os mais novos na escolha das guloseimas mais adequadas e as restantes poderão “oferecer à fada dos dentes”, ou até mesmo distribuir por outros familiares – o que contribuirá também para incentivar a partilha.

O momento da escovagem dos dentes, torna-se ainda mais importante depois de ingerir alimentos mais açucarados. Certifique-se que todos os cantos, superfícies e fissuras dos dentes estão bem escovados. A presença prolongada destes alimentos na cavidade da criança/jovem potencia o aparecimento de cáries e/ou inflamação das gengivas. É essencial que a escovagem seja realizada por um adulto (pelo menos até a criança ter a motricidade/destreza fina totalmente desenvolvida), com uma escova de cerdas suaves e pasta dentífrica com pelo menos 1000 ppm de flúor.

Por fim, vale sempre a pena relembrar que se pretende oferecer presentes na Páscoa, existem muitas outras opções que não envolvem doces ou alimentos açucarados, como por exemplo ovos para pintar e atividades que permitam a criança divertir-se e aprender em família, como os jogos de tabuleiro.

Uma Páscoa feliz, também inclui sorrisos saudáveis! Desde a erupção do primeiro dente de leite ou até ao primeiro ano de vida, faça a primeira visita com o Médico Dentista ou Odontopediatra! Ofereça prevenção! É o melhor que pode dar à saúde oral, e geral, das nossas crianças.

 

Sofia Baptista
Odontopediatra

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