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Obesidade: um problema de saúde pública que pode ser prevenido

Estima-se que a obesidade afete 650 milhões de pessoas a nível mundial. Em Portugal, 60% da população apresenta excesso de peso e 16,9% obesidade, segundo o Inquérito Nacional de Saúde de 2019. Hoje, dia 22 de maio, celebra-se o Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade, uma epidemia que, embora não curse pela proliferação de nenhum vírus ou bactéria, é merecedora de toda a nossa atenção e preocupação.

E o que é a obesidade? Uma doença crónica e multifatorial, que consiste na acumulação anormal ou excessiva de gordura corporal, potenciando o desenvolvimento de outras patologias, nomeadamente hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, asma, doença hepática e neoplasias específicas. A obesidade está associada a um maior risco de mortalidade.

A prevenção da obesidade é substancialmente mais fácil do que o seu tratamento. Somente com uma rotina saudável e ativa é possível evitar que o excesso de gordura se instale, pelo que devem ser colocadas em prática as seguintes recomendações:

  • Dieta com baixo teor em gorduras e compatível com o gasto energético;
  • Prática regular de exercício físico – caminhadas diárias de 30 a 40 minutos, por exemplo;
  • Bons hábitos de sono – pelo menos, 8 horas por noite;
  • Consumo regrado de bebidas alcoólicas;
  • Controlo e redução dos níveis de ansiedade;
  • Ingestão frequente de água ao longo do dia;
  • Evitar o consumo de alimentos hipercalóricos, antes de dormir;
  • Procurar ajuda profissional para descartar causas não evitáveis, nomeadamente genéticas.

 

 

Seguir estas recomendações é prevenir, e prevenir é sempre o melhor caminha para uma vida saudável.

A obesidade é transversal a qualquer faixa etária, não afeta somente os adultos. Em 2016, mais de 124 milhões de crianças e adolescentes eram obesos, segundo um relatório divulgado pelas Nações Unidas e pela revista The Lancet. No entanto, nem todos os dados são desanimadores: em Portugal, entre 2008 e 2019, registou-se uma diminuição de 8,3% na obesidade infantil.

E no atual contexto? No período de confinamento, cerca de 26,4% dos portugueses aumentaram de peso, devido ao estilo de vida sedentário imposto. Perante uma doença como a COVID-19, cujo risco de necessitar de tratamento hospitalar e de sintomas mais graves também é potenciado pela obesidade, é importante não esquecer as rotinas alimentares saudáveis e o exercício físico regular.

Tendo em conta a elevada prevalência de obesidade em Portugal, urge a necessidade de estabelecer uma mudança de paradigma no Sistema Nacional de Saúde, demasiadamente focado no tratamento de patologias associadas à obesidade. É preciso atuar na origem do problema, neste caso, nas causas do excesso do peso, com vista a prevenir o seu aparecimento e os riscos metabólicos que acarreta. Assim, veríamos um alívio nos cuidados de saúde e, por conseguinte, os recursos financeiros poderiam ser canalizados para outras áreas.

A OMS indica que, em 2025, 50% da população mundial será obesa. Na iminência desta realidade, é preciso instituir urgentemente uma mudança de mentalidade, visto estarmos perante um problema de saúde pública, que demanda uma resolução urgente.

João Pedro Gama Silva Gomes

Joana Grácio Machado Cardoso

Alunos do 2.º Ano da Escola de Medicina da Universidade do Minho

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