Imaginemos a seguinte situação: a Maria estava a fazer scroll nas redes sociais e viu pessoas que já tinham feito exercício, saído com amigos…1001 coisas e estavam felizes. Quando olhou para o relógio, percebeu que já tinha passado 1 hora e começou a pensar que ainda não tinha posto a roupa a lavar, devia estar a estudar e “Como é que estas pessoas já fizeram tanta coisa e eu ainda nem consegui sair da cama?”. Olhando para esta situação, podemos pensar que a Maria passa demasiado tempo nas redes sociais e precisa de deixar o telemóvel de lado. Talvez reduzir esse tempo possa ajudar. Mas será que não há outro problema para o qual devíamos estar a olhar?

Nos últimos anos, temos falado cada vez mais sobre saúde mental. Tentamos ensinar a reconhecer sinais de ansiedade, depressão e burnout, falamos sobre a importância de pedir ajuda e tentamos reduzir o estigma associado à doença mental. No entanto, existe uma ideia que talvez ainda esteja demasiado presente: só precisamos de procurar ajuda quando já não conseguimos funcionar.

Se voltarmos à história da Maria, a Teoria da Comparação Social, proposta por Festinger, ajuda-nos a compreender parte do que lhe acontece. Quando não temos critérios objetivos para nos avaliarmos, tendemos a compararmo-nos com os outros, e as redes sociais dão-nos imagens para tal, mesmo que estejamos apenas a ver uma versão romantizada e idealizada da realidade daquela pessoa.

Mas, apesar da comparação ser importante, aquilo que começa a acontecer depois dela também é. Uma manhã acordámos e sentimo-nos menos produtivos, e isso não significa que exista um problema de saúde mental (pode ter sido apenas um dia mau). O problema pode surgir quando estes momentos começam a repetir-se: quando nos sentimos constantemente cansados, insuficientes, ansiosos ou insatisfeitos; quando deixamos de fazer coisas de que gostávamos, mas como continuamos a trabalhar, estudar e sair com amigos, dizemos que “é só uma fase, é só cansaço” e acreditámos que estamos bem. E talvez esta dualidade (sentir-se mal, mas acreditar que está bem) seja mais comum do que pensamos. Um inquérito recentemente divulgado em Portugal, realizado pela ConsumerChoice, revelou que 53.6% dos participantes apresentaram níveis elevados de sofrimento psicológico, enquanto 63.4% consideraram a sua saúde mental boa ou muito boa e que 54.3% nunca tinha procurado ajuda psicológica.

Talvez para combatermos esta tendência, seja necessário mudar a conversa e reforçar que não é preciso estar “no fundo do poço” para pedir ajuda. O acompanhamento psicológico

pode ser um espaço de prevenção, de autoconhecimento e de compreensão dos padrões que nos fazem sentir mal, antes de estes ocuparem ainda mais espaço na nossa vida.

Por isso, neste 10 de outubro, talvez a pergunta não deva ser “Estou suficientemente mal para pedir ajuda?”, talvez devêssemos perguntar “Há quanto tempo é que não me sinto verdadeiramente bem?”, porque funcionar não é necessariamente o mesmo que estar bem. E cuidar da nossa saúde mental pode começar precisamente quando percebemos que alguma coisa mudou, mesmo quando, por fora, parece estar tudo bem.

Vanessa Cristiana Fernandes Pereira (Psicóloga OPP nº32186)

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Ana Rosinhas

Nº da Cédula da Ordem dos Psicólogos: nº 29463

Formação académica

Licenciatura em Psicologia – Universidade Lusíada do Porto
Mestrado em Psicologia Clínica – Universidade Lusíada do Porto
Formação complementar em Avaliação Neuropsicológica e Avaliação do Desenvolvimento Infantil.

Áreas de diferenciação

Avaliação e intervenção psicológica com jovens adultos e adultos
Ansiedade, perturbações do humor e regulação emocional
Perturbações da personalidade
Autoestima e desenvolvimento pessoal
Dificuldades relacionais
Luto e adaptação à mudança
Orientação parental

Daniela Borba

Nº da Cédula da Ordem dos Médicos – 4925N

Formação académica relevante

Licenciatura em Ciências da Nutrição na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto
Formação complementar, não académica em Obesidade, Emagrecimento e comportamento alimentar

Áreas de diferenciação 

Emagrecimento
Mudança de Hábitos Alimentares e estilo de vida
Comportamento Alimentar

Especialidade

Nutrição Clínica

Vanessa pereira

Psicólogo inscrita na Ordem dos Psicólogos Portugueses de Membro Efetivo: 32186

Formação académica

Especialização Avançada em Psicologia Clínica e da Saúde (CRIAP)
Mestre em Psicologia: Especialização em Psicologia Clínica pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Licenciada em Psicologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Formação Profissional de Psico-oncologia na Criança e Adolescente (ReConstruir)
Formação Profissional de Depressão no Adulto (ReConstruir)
Formação complementar diversificada nas áreas do luto, psicologia oncológica, ansiedade, imagem corporal e adaptação ao ensino superior.

Áreas de diferenciação 

Intervenção na doença oncológica e doenças crónicas (todas as fases);
Intervenção com abordagem cognitivo comportamental, humanista, existencialista, narrativa e de aceitação e compromisso;
Avaliação e intervenção em perturbações depressivas, de ansiedade, trauma, luto, perturbações alimentares, adaptação a mudanças nas várias fases de vida e imagem corporal.