Dor 2.0: A Revolução da Medicina Digital no Combate à Dor

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Neste Dia Nacional de Luta contra a Dor, não podemos deixar de refletir sobre os desafios que esta impõe, tanto em termos do sofrimento individual como do impacto coletivo no sistema de saúde.

A transformação que as tecnologias digitais conferem à prática da Medicina está a permitir redesenhar os cuidados de saúde e a dar uma nova esperança a milhões de pessoas que sofrem com Dor. A Medicina Digital permite, por isso, uma maior personalização, precisão e proximidade dos cuidados prestados a pessoas com Dor.

A Inteligência Artificial pode auxiliar no diagnóstico em Dor, já que permite analisar grandes volumes de dados em tempo reduzido e identificar padrões que podem passar despercebidos ao clínico. Esta pode, assim, ajudar na orientação da pessoa com Dor de forma mais rápida e eficaz.

Também os wearables desempenham um papel revolucionário na monitorização à distância da pessoa com Dor, permitindo uma ligação aos profissionais de saúde em tempo real e uma monitorização constante da Dor de cada doente, permitindo intervenções mais rápidas e adequadas às suas necessidades específicas.

Outro exemplo de inovação é o uso da realidade virtual no âmbito terapêutico. Este tipo de tecnologia permite ‘transportar’ um doente para um ambiente virtual imersivo, que permita reduzir a percepção dolorosa através da dissociação de estímulos. Também a robótica, no âmbito da reabilitação, está a ajudar doentes a recuperar funções motoras após lesões ou cirurgias, tornando o processo de reabilitação mais eficaz e menos doloroso. Importa, por último, referir a telemedicina.

Graças às consultas à distância, mais pessoas conseguem aceder a profissionais de saúde especializados em Dor, que de outra forma poderiam estar fora do seu alcance geográfico. Esta democratização do acesso aos cuidados de saúde é uma das grandes vitórias da Medicina Digital.

O uso destas tecnologias não é, contudo, isento de ameaças. Questões como a gestão de dados de saúde, a garantia da privacidade dos doentes e a equidade no acesso às novas tecnologias devem fazer-nos refletir sobre o acompanhamento da ética ao desenvolvimento de inovações tecnológicas, para que a equidade e a humanidade permaneçam no centro de qualquer avanço.

Portanto, celebremos os avanços notáveis da Medicina Digital nesta área ao mesmo tempo que refletimos sobre a dor como algo muito mais amplo que um desafio clínico: como um problema biopsicossocial para o qual são necessárias soluções para o alívio da Dor Total da pessoa, com o intuito de melhorar a sua qualidade de vida.

Jorge Eusébio
Medicina Geral e Familiar

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